Mala de frio: o que levar para não passar frio na viagem de inverno

O que você vai ver neste post

Montar uma mala de frio pode parecer simples… até a previsão começar a mostrar temperaturas negativas. Aí começam as dúvidas: o que realmente precisa entrar na mala? Quantas camadas usar? Qual casaco aguenta de verdade? Jeans resolve? Precisa de bota de neve? E como dar conta sem levar a casa inteira na bagagem?

Eu já tinha viajado para destinos frios antes, mas foi durante uma viagem de inverno pelo Canadá que essa questão ganhou outra dimensão. Em boa parte da viagem, enfrentamos temperaturas entre -10°C e -18°C, com mínima de -22°C, além de vento, neve, gelo e sensação térmica ainda mais baixa. Foi vivendo na pele (literalmente) que algumas certezas caíram por terra: teve roupa que parecia ótima antes da viagem, mas que não saiu da mala… enquanto outras peças acabaram sendo repetidas praticamente todos os dias porque realmente funcionavam. Essa experiência me ensinou uma lição bem clara: para montar uma boa mala para uma viagem de inverno, quantidade não é o mais importante. O que faz diferença é escolher as peças certas, entender a função de cada camada e pensar também em proteção contra vento, umidade e neve, não apenas contra o frio indicado no termômetro.

Neste post, eu reuni o que aprendi na prática sobre o que levar em uma mala de frio, desde roupas térmicas, casacos, calças, botas e acessórios até alguns itens menos óbvios que fizeram bastante diferença durante a viagem. A ideia é te ajudar a montar uma mala eficiente, confortável e sem exageros, seja para enfrentar um inverno mais rigoroso, viajar para a neve ou mesmo encarar temperaturas constantemente bem abaixo de zero.

Como montar uma mala de frio sem levar roupa demais

Quando a gente começa a pensar em uma viagem para o frio, a reação mais automática é querer compensar a temperatura levando roupa demais. Mais casacos, mais blusas, mais calças, mais opções “por garantia”. Só que, na prática, isso pode resultar numa mala pesada, volumosa e cheia de peças que talvez nem funcionem para o tipo de frio que você vai enfrentar.

Foi exatamente isso que eu percebi na nossa viagem pelo Canadá. Eu levei várias roupas que pareciam ótimas antes de sair do Brasil, mas que simplesmente não davam conta quando a temperatura despencava. No fim, algumas peças ficaram praticamente esquecidas na mala, enquanto outras foram repetidas sem culpa porque eram as que realmente funcionavam.

Por isso, antes de pensar em quantidade, o mais importante é entender que tipo de frio você vai pegar. Uma viagem com temperaturas próximas de 5°C pede uma mala bem diferente de outra em que a previsão indica -10°C, -15°C ou menos. E mais: em destinos de inverno mais rigoroso, não basta olhar só para o número no termômetro: vento, umidade, neve e sensação térmica fazem uma diferença enorme na forma como o frio é sentido.

A lógica, então, passa por priorizar poucas peças que realmente cumpram uma função: uma boa roupa térmica, uma camada intermediária eficiente, um casaco adequado e, quando necessário, peças impermeáveis. Isso costuma funcionar melhor do que tentar montar vários looks diferentes para cada dia da viagem.

Também vale abraçar a ideia de repetir roupa. Em viagens de inverno, isso é quase parte da estratégia. Casacos, calças e fleeces aparecem várias vezes, e tudo bem. Além de economizar espaço, essa repetição permite investir em peças melhores e mais adequadas ao clima, em vez de dividir a mala entre muitas opções que talvez não protejam o suficiente.

© Marina Heimer / Imagina na Viagem

Vale a pena comprar roupas de frio no destino?

Pode valer a pena, sim, principalmente para complementar o que você já levou. Em destinos com inverno mais rigoroso, costuma ser mais fácil encontrar roupas e acessórios pensados para baixas temperaturas, além de haver mais variedade de modelos, tecidos e tecnologias.

O erro, pra mim, é sair do Brasil contando que vai comprar tudo quando chegar. O ideal é já embarcar com pelo menos um conjunto completo que dê conta do frio esperado: roupa térmica, uma boa camada intermediária, casaco, calça adequada e acessórios quentinhos. Assim, você não depende de encontrar uma loja logo nos primeiros dias e já chega preparado para começar a viagem com conforto.

Depois disso, aí sim pode fazer sentido aproveitar o destino para complementar a mala. Na nossa experiência, algumas peças compradas fora funcionaram muito bem, especialmente roupas térmicas e casacos da Uniqlo.

Resumindo: leve uma base segura e funcional já de casa e deixe as compras no destino para melhorar ou completar o que você levou.

Como se vestir em camadas no frio: o famoso “look cebola”

Se tem uma estratégia que realmente faz diferença em viagens para o frio, é se vestir em camadas. O famoso “look cebola” funciona porque cada peça cumpre uma função diferente: uma ajuda a reter o calor do corpo, outra reforça o isolamento térmico e a última protege do vento, da umidade e da neve.

E aqui está o ponto importante: não basta simplesmente colocar um monte de roupa uma por cima da outra. Escolher bem cada camada deixa o conjunto mais eficiente, confortável e muito menos volumoso.

Primeira camada: roupa térmica

Roupas térmicas usadas como primeira camada em uma mala de frio

A roupa térmica é a base do look de inverno e fica em contato direto com a pele, funcionando como uma segunda pele. O objetivo é ajudar a manter o calor do corpo sem adicionar muito volume, por isso ela faz tanta diferença quando a temperatura cai de verdade.

O ideal, pra mim, é levar pelo menos dois conjuntos de blusa e calça térmicas, mesmo em viagens mais longas. Assim, você consegue lavar um enquanto usa o outro, sem precisar encher a mala de peças repetidas. A exceção é se você já estiver planejando comprar mais roupas térmicas durante a viagem: nesse caso, dá para sair do Brasil com um conjunto só e complementar depois.

Existem opções mais leves e outras pensadas para frio mais intenso, então vale escolher de acordo com o destino e com a previsão de temperatura. No Brasil já dá para encontrar peças boas com preços acessíveis, mas marcas como a Uniqlo também têm linhas térmicas bastante eficientes para quem quiser complementar a mala durante a viagem. O mais importante é que a peça fique confortável no corpo, sem apertar e sem limitar os movimentos. Como ela vai estar por baixo de tudo, quanto mais confortável e ajustada, melhor.

Segunda camada: fleece, lã ou suéter

A segunda camada entra entre a roupa térmica e o casaco e tem a função de reforçar o isolamento térmico. É aqui que entram peças como fleece, suéter de lã ou outras blusas mais quentinhas, escolhidas de acordo com a intensidade do frio que você vai enfrentar.

Eu gosto especialmente do fleece porque ele costuma ser leve, confortável e eficiente sem acrescentar tanto volume à mala. Mas lã e outros tecidos mais quentes também funcionam muito bem. Materiais como lã merino e caxemira tendem a aquecer melhor do que tecidos como algodão, então vale prestar atenção à composição da peça na hora de escolher.

Uma dica prática é escolher pelo menos uma peça que fique apresentável sozinha. Em restaurantes, museus, lojas e outros ambientes fechados, é bem provável que você queira tirar o casacão. Então é ótimo quando essa camada intermediária também funciona como uma roupa que você pode usar exposta durante parte do dia.

E, de novo, não precisa exagerar na quantidade. Como essa peça não fica diretamente em contato com a pele, dá para repetir ao longo da viagem e variar conforme a temperatura.

Terceira camada: casaco impermeável e corta-vento

A terceira camada é a que fica mais exposta e, em uma viagem para frio intenso, ela precisa fazer mais do que simplesmente esquentar. O ideal é que o casaco seja impermeável e corta-vento, porque não adianta estar bem protegido por baixo se o vento atravessa o tecido ou se chuva e/ou neve deixam a roupa úmida.

Essa foi uma das maiores lições da nossa viagem pelo Canadá. Eu levei casacos que pareciam ótimos quando estava montando a mala, mas, na prática, poucos davam conta daquele nível de frio. No fim, passei boa parte da viagem repetindo um único casacão da Uniqlo, justamente porque ele era o que realmente funcionava quando a temperatura despencava.

Mais do que olhar só para a aparência ou para a sensação de “casaco pesado”, vale conferir as características técnicas da peça. Proteção contra vento e umidade faz muita diferença em destinos com neve, gelo e sensação térmica baixa. Também é importante prestar atenção ao tamanho. Esse casaco vai ser usado por cima da roupa térmica e da camada intermediária, então ele precisa ter espaço suficiente para acomodar tudo sem ficar apertado. Por isso, se possível, experimente o casaco já pensando nas camadas que vão por baixo.

E aqui vale a mesma lógica que já apareceu no restante da mala: melhor ter um casaco realmente eficiente e repeti-lo durante a viagem do que levar vários modelos que não protegem o suficiente.

O que usar nas pernas em uma viagem para o frio

Na parte de baixo, a proteção também precisa acompanhar a intensidade do frio. Em temperaturas mais amenas, combinações simples podem funcionar bem; já quando entram em cena frio extremo, vento e neve, vale pensar com mais cuidado tanto na camada que fica junto ao corpo quanto na calça usada por cima.

Calça térmica por baixo funciona?

Funciona, e funciona muito bem. A calça térmica fica em contato direto com a pele e ajuda a manter o calor do corpo sem acrescentar muito volume, por isso é uma ótima primeira camada para os dias mais frios.

Por cima, aí sim a escolha depende da temperatura. Em um frio mais moderado, dá para usar jeans, calça de veludo ou até uma legging mais encorpada. Na nossa viagem pelo Canadá, porém, ficou claro que, quando a temperatura despenca, essa combinação pode chegar ao limite. Teve momento em que o jeans, mesmo com a térmica por baixo, simplesmente não dava conta.

Então eu considero a calça térmica quase indispensável numa mala de frio, mas com uma ressalva importante: ela é a base da proteção. Em temperaturas muito baixas ou na neve, a peça usada por cima também precisa estar à altura do clima.

Quando vale levar calça impermeável ou calça de neve?

Quando a previsão aponta temperaturas muito baixas, neve frequente ou bastante tempo ao ar livre, a calça impermeável começa a fazer muito mais sentido. Na nossa viagem pelo Canadá, foi a opção que realmente funcionou melhor nos dias mais frios: além de aquecer, ela protegia da umidade e dava muito mais tranquilidade para caminhar na neve, sentar em algum lugar úmido ou simplesmente lidar com o clima sem preocupação.

Uma calça de neve ou estilo esqui costuma ser uma boa escolha justamente porque reúne essas funções. E ela não precisa ficar restrita a quem vai esquiar: em um inverno extremo, pode ser útil até em passeios urbanos, principalmente se houver neve acumulada ou sensação térmica muito baixa.

Aqui também vale prestar atenção ao tamanho. Como você provavelmente vai usar a calça térmica por baixo, é importante que a peça tenha espaço suficiente para acomodar essa camada sem apertar nem limitar os movimentos.

Botas e meias: como manter os pés quentes e seguros

Um bom tênis pode parecer a escolha mais confortável quando a gente pensa em uma viagem com muita caminhada, e em dias secos até pode funcionar bem. Mas, se a previsão inclui neve, chuva ou gelo, ele pode se tornar uma opção arriscada: além de molhar com facilidade, muitos modelos têm solado liso e pouca aderência. Por isso, em uma viagem para o frio intenso, vale pensar no calçado não só pelo conforto, mas também pela impermeabilidade, proteção e segurança ao caminhar.

O que procurar em uma bota para neve e frio

Bota impermeável com solado antiderrapante para viagem na neve

Pra mim, existem dois critérios indispensáveis: impermeabilidade e solado antiderrapante. Neve derrete, forma poças e também pode virar gelo, então uma bota bonita, mas com sola lisa ou que deixe a água entrar, pode virar um problema bem rápido.

Na prática, isso significa procurar uma bota que mantenha o pé seco e tenha boa aderência ao chão. A proteção térmica interna pode ser um bônus, mas não precisa ser obrigatória se você estiver usando uma boa meia por dentro. Na nossa viagem pelo Canadá, levei duas botas: as duas impermeáveis e com solado antiderrapante, mas só uma tinha isolamento térmico. As duas funcionaram bem justamente porque eu ajustava a meia de acordo com o calçado.

Meia térmica ou meia de lã merino?

As duas podem funcionar muito bem. O mais importante é que a meia ajude a manter o pé aquecido sem deixar o calçado apertado demais.

Eu gosto bastante de meias de lã merino, porque aquecem bem e ocupam pouco espaço na mala. Se a bota já tiver proteção térmica, uma meia comum mais encorpada pode ser suficiente em muitos dias; se não tiver, uma meia térmica ou de merino ajuda bastante a compensar.

Para uma viagem de inverno, eu levaria pelo menos dois ou três pares de meias térmicas ou de lã merino, além de algumas meias comuns mais encorpadas para variar de acordo com o frio e com o tipo de bota. Como são peças pequenas, dá para montar essa combinação sem ocupar muito espaço na mala.

Acessórios de inverno que realmente fazem diferença

Em uma viagem para o frio, acessórios não são detalhe. Luvas, gorros, proteção para as orelhas, cachecol e gola fazem diferença real no conforto e, em temperaturas muito baixas, também na segurança.

Eles ainda têm uma segunda função bem útil: ajudam a variar o visual sem precisar levar vários casacos e roupas pesadas. Se você está preocupado em aparecer sempre com a mesma roupa nas fotos da viagem, trocar gorro, cachecol ou outros acessórios já muda bastante o look sem ocupar muito espaço na mala. Mas isso vem depois. O principal é escolher peças que realmente protejam do frio.

Luvas para frio extremo

Quando o frio é intenso, luva de trama aberta ou muito fina não resolve. O ideal é procurar modelos com tecido fechado, bom isolamento térmico e proteção suficiente contra o vento.

Também vale muito a pena escolher uma luva compatível com touchscreen ou com abertura para os dedos. Durante a viagem, você vai usar o celular para consultar mapas, horários de transporte, tirar fotos e fazer pagamentos. Ter que tirar e colocar a luva o tempo inteiro é desconfortável e ainda aumenta bastante a chance de perdê-la.

Eu também levaria pelo menos dois pares. Luvas sujam, podem molhar e, com esse tira e põe ao longo do dia, também podem simplesmente sumir. Aliás, não é raro encontrar uma luva solitária abandonada pelas ruas de destinos muito gelados… claramente vítima de algum bolso mal fechado. Melhor ter uma reserva na mala.

Gorro e proteção para as orelhas

Com gorro, vale a mesma lógica: quanto mais fechada e bem forrada a peça, melhor. Modelos de tricô com trama muito aberta podem até ser bonitos, mas deixam o vento passar e acabam protegendo menos do que parecem.

Se o gorro não for tão quente, dá para reforçar com uma faixa para as orelhas ou até com um gorro mais fino de fleece por baixo. Eu usei bastante essa combinação até encontrar um modelo bem forrado, que conseguia dar conta sozinho. As orelhas são uma das partes do corpo que mais incomodam quando ficam expostas ao frio, então eu não subestimaria essa proteção.

Cachecol, gola ou balaclava

O pescoço também precisa ficar protegido. Um bom cachecol ou gola ajuda a bloquear a entrada de ar frio pela parte de cima do casaco e, nos dias de vento mais forte, ainda pode ser puxado para cobrir parte do rosto.

A balaclava oferece uma proteção ainda maior, porque cobre praticamente toda a cabeça e o rosto, deixando apenas os olhos expostos. É uma ótima opção para quem se adapta bem a ela. Eu, particularmente, prefiro o cachecol porque me sinto mais confortável, mas isso é bastante pessoal.

Aqui, mais do que pensar em qual opção é “melhor”, vale escolher aquela que você consegue usar durante horas sem ficar incomodado.

Aquecedores de mãos e pés

Os aquecedores térmicos descartáveis, também conhecidos como hand warmers e foot warmers, são pequenos sachês que começam a aquecer quando entram em contato com o ar e podem manter o calor por algumas horas.

Eles podem ser colocados no bolso, dentro das luvas e, dependendo do modelo, até nas botas. Não considero um item obrigatório para toda mala de inverno, mas podem ser um ótimo reforço em dias de frio extremo, principalmente para quem sente muito frio nas mãos e nos pés.

São pequenos, quase não ocupam espaço e costumam ser fáceis de encontrar em destinos onde o inverno é mais rigoroso. Se a previsão da sua viagem estiver realmente assustadora, pode valer a pena ter alguns à mão.

O que levar na mala de inverno além das roupas

O que muita gente ignora é que o frio não impacta apenas a escolha das roupas, ele interfere em vários aspectos da rotina durante a viagem. Em temperaturas muito baixas, desde a bateria do celular até a saúde da pele e o funcionamento de equipamentos podem ser afetados, exigindo mais atenção do que apenas se vestir bem. Por isso, além de casaco, bota e acessórios, vale reservar espaço na mala para alguns itens menos óbvios que podem fazer bastante diferença durante a viagem.

Powerbank

Frio extremo e bateria não combinam muito bem. Em temperaturas muito baixas, o celular pode descarregar mais rápido do que você está acostumado e, como ele provavelmente vai ser usado o dia inteiro para fotos, mapas, transporte, reservas e outras funções, depender apenas da carga que saiu do hotel pode ser arriscado.

Por isso, eu considero o powerbank um item quase obrigatório numa viagem para o frio. O ideal é sair todos os dias com ele carregado na mochila e, se possível, manter também o celular protegido do frio direto quando não estiver usando.

Fica a dica…

Um powerbank ajuda a manter o celular carregado, mas, numa viagem para o frio, também é importante garantir que ele esteja conectado. Mapas, transporte público, previsão do tempo e tradução já são úteis em qualquer viagem; no frio extremo, podem evitar alguns minutos extras de exposição enquanto você tenta descobrir para onde ir ou qual ônibus pegar.

Hoje existem diferentes formas de ter internet no celular fora do Brasil, as principais são roaming da operadora, chip local e chip internacional (seja físico ou eSIM). O ideal é decidir ainda no planejamento como você pretende se conectar durante a viagem.

Quer sair do Brasil com isso resolvido? A Airalo trabalha com eSIMs internacionais que garantem conexão desde a chegada ao destino até a hora de voltar para casa. Clique aqui para cotar o seu e use o cupom IMAGINANAVIAGEM para 10% de desconto.

Capa impermeável para a mochila

Mochila coberta de neve durante viagem de inverno

Neve molha. E essa é uma daquelas coisas que parecem óbvias só depois que você passa pela situação. Se a sua mochila não for impermeável, vale muito a pena levar uma capa de chuva própria para ela. Além de proteger documentos e objetos pessoais, isso faz ainda mais diferença se você estiver carregando celular, câmera, powerbank ou qualquer outro eletrônico. A capa ocupa pouquíssimo espaço, pesa quase nada e evita um problema bem chato se a neve começar a derreter sobre a mochila durante o passeio.

Hidratantes para rosto, corpo e lábios

O frio intenso resseca a pele de um jeito que pode surpreender (principalmente a quem está acostumado com o clima mais quente do Brasil). Lábios rachados, mãos ressecadas e aquela sensação de pele repuxando são bem comuns quando você passa muitas horas exposto ao frio e ao ar seco.

Por isso, eu considero fundamental levar hidratante para o rosto, para o corpo e para os lábios. Mesmo quem normalmente tem a pele mais oleosa pode sentir necessidade de reforçar a hidratação durante a viagem. No meu caso, o ressecamento foi tão forte que eu ainda precisei manter esse cuidado por alguns dias depois de voltar para casa.

Se quiser economizar espaço, dá para levar versões pequenas (travel size) ou transferir os produtos para embalagens de viagem. Só não vale esquecer de usar: o hidratante labial, principalmente, é daqueles itens que eu deixo sempre à mão na bolsa ou na mochila.

Lavagem nasal para enfrentar o ar seco

O ar frio e seco também pode incomodar bastante o nariz. Ressecamento, ardência e até pequenos sangramentos podem aparecer ao longo da viagem, principalmente depois de muitas horas em ambientes aquecidos ou exposto ao vento.

Por isso, uma garrafinha para lavagem nasal pode ser um item bem útil na mala. Eu, que sofro bastante com rinite, costumo levar em todas as viagens… e durante a viagem de inverno pelo Canadá acabei usando todos os dias. Não é daqueles itens universais que todo mundo obrigatoriamente precisa levar, mas, se você já costuma sentir desconforto com ar seco, vale considerar.

Secador de cabelo: confira antes se o hotel oferece

Sair com o cabelo molhado no frio não é uma boa ideia, então vale conferir antes da viagem se o seu hotel oferece secador de cabelo no quarto. Na maioria das vezes, isso já resolve e evita carregar mais um aparelho na mala.

Se o hotel não tiver e você decidir levar o seu, atenção à voltagem do destino. Um secador que funciona normalmente no Brasil pode não ser compatível com a rede elétrica de outro país, então vale checar se o aparelho é bivolt ou se atende à voltagem local antes de embarcar. Também ajuda escolher um modelo compacto, para não gastar espaço demais da bagagem.

O que levar na mala de mão em uma viagem para o frio

Uma mala de mão bem planejada é essencial em qualquer viagem… mas, nas de frio, ela merece uma atenção especial. Isso porque você pode precisar de algumas peças antes mesmo de chegar ao hotel e, se a bagagem despachada atrasar ou for extraviada, ficar sem roupa adequada para enfrentar a temperatura pode virar um problemão.

Por isso, vale levar pelo menos uma muda de roupa e um kit básico de frio com roupa térmica, casaco pesado, gorro, cachecol e luvas. Não precisa transferir metade da mala despachada para a cabine. A ideia é só garantir o suficiente para sair do aeroporto, começar a viagem com conforto e se virar por algumas horas ou até um dia, caso aconteça algum imprevisto com a bagagem.

Fica a dica…

Organizar bem a mala de mão ajuda bastante a lidar com pequenos imprevistos, mas nem tudo dá para resolver só com planejamento. Por maior que seja a nossa cautela, atraso ou extravio de bagagem, necessidade de atendimento médico e outros problemas podem acabar acontecendo durante a viagem.

Por isso, além de pensar no que vai dentro da mala, a dica aqui é viajar protegido com um bom seguro-viagem, com cobertura adequada ao seu roteiro e destino. E, se você pretende esquiar ou praticar outro esporte, lembre-se de conferir se o plano inclui cobertura para esportes amadores.

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Checklist: o que levar na mala para uma viagem de inverno

Depois de tudo isso, dá para resumir os principais itens da mala de inverno em uma checklist prática. Ela funciona como uma base do que abordamos até aqui, mas não pretende reunir tudo o que você vai levar: documentos, eletrônicos, itens de higiene, medicamentos e outras particularidades da sua viagem entram à parte.

Roupas

  • Conjuntos de roupa térmica, com blusa e calça
  • Fleeces, suéteres ou blusas de lã para a segunda camada
  • Casaco impermeável e corta-vento
  • Calças adequadas à temperatura
  • Calça impermeável ou de neve, se a previsão indicar frio intenso ou neve

Pés

  • Bota impermeável com solado antiderrapante
  • Meias térmicas ou de lã merino
  • Meias comuns mais encorpadas

Acessórios

  • Luvas
  • Gorro bem forrado
  • Faixa ou outra proteção para as orelhas, se necessário
  • Cachecol, gola ou balaclava
  • Aquecedores de mãos e pés, se quiser um reforço para o frio extremo

Extras

  • Powerbank
  • Capa impermeável para a mochila
  • Hidratante facial
  • Hidratante corporal
  • Hidratante labial
  • Garrafinha para lavagem nasal, se você costuma sentir os efeitos do ar seco
  • Secador de cabelo, caso a hospedagem não ofereça

Na mala de mão

  • Uma muda de roupa
  • Um conjunto de roupa térmica
  • Casaco pesado
  • Gorro
  • Cachecol
  • Luvas

Afinal, qual é o segredo para não passar frio na viagem?

A conclusão é bem menos complicada do que parece: encher a mala de roupa não resolve. Vale muito mais escolher bem as peças que você vai levar e garantir que elas realmente deem conta do frio da viagem.

Uma mala de frio eficiente combina boas camadas, peças adequadas à temperatura, proteção contra vento e umidade, calçados seguros e acessórios que realmente funcionem. Isso permite repetir mais, carregar menos e, principalmente, aproveitar a viagem sem passar o dia inteiro pensando no frio.

Também vale lembrar que não existe uma fórmula única. A mala de quem vai enfrentar 5°C não precisa ser a mesma de quem vai encarar -15°C com neve. O ideal é sempre ajustar as escolhas ao destino, à previsão do tempo e ao tipo de passeio que você pretende fazer.

No fim, essa é a melhor lógica para montar uma mala de inverno: entender o clima, escolher bem cada peça e viajar preparado o suficiente para que o frio faça parte da experiência, sem virar o protagonista dela.

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Marina Heimer

Marina Heimer é criadora e editora do Imagina na Viagem, projeto que mantém desde 2014. Cineasta e jornalista de formação, atualmente graduanda em História, seu trabalho une pesquisa, experiência prática e um olhar atento à cultura e à identidade dos destinos. Entre vídeos e artigos, compartilha o que aprende viajando pelo mundo, com informações detalhadas, dicas testadas e a convicção de que planejar a viagem é (quase) tão divertido quanto viajar.

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