Amsterdam é daquelas cidades que convidam a caminhar. O centro histórico é compacto, cheio de canais, pontes, fachadas estreitas e pequenas ruas onde sempre aparece alguma coisa interessante pelo caminho. E, para mim, fazer um roteiro a pé em Amsterdam continua sendo uma das melhores formas de ter um primeiro contato com a cidade.
Neste post, você encontra um roteiro a pé em Amsterdam pensado para ser feito por conta própria, no seu ritmo, seguindo uma sequência de paradas pelo centro histórico. O percurso passa por lugares como a Praça Dam, o Begijnhof, o Bloemenmarkt, a Nieuwmarkt, Chinatown e o Red Light District, além de vários pontos menos óbvios que ajudam a entender melhor a história e a personalidade da cidade.
A proposta não é tentar “ver Amsterdam inteira em um dia” e nem encaixar visitas demoradas a museus e atrações. A ideia é outra: fazer um walking tour autoguiado, com mapa, contexto histórico e dicas ao longo do caminho, para conhecer bastante da cidade enquanto você simplesmente caminha.
Se você tem pouco tempo em Amsterdam, esse roteiro funciona muito bem como um panorama geral. E, se tem mais dias, pode usá-lo como uma primeira exploração do centro antes de voltar com calma aos lugares que mais chamarem sua atenção.

Por que conhecer Amsterdam a pé?
Amsterdam é uma cidade grande, mas boa parte dos lugares que costumam interessar numa primeira visita está concentrada numa área relativamente compacta. No centro histórico, muitas atrações ficam a poucos minutos umas das outras, o que torna perfeitamente possível passar horas caminhando sem depender de transporte.
E, nesse caso, andar a pé tem uma vantagem enorme: você consegue prestar atenção no caminho. Em Amsterdam, isso faz diferença. Há fachadas tortinhas, pontes, casas estreitas, canais, pequenas igrejas, becos e detalhes que passam despercebidos quando o objetivo é apenas ir de um ponto a outro.
As bicicletas, claro, fazem parte da identidade da cidade e são um excelente meio de transporte. Mas o trânsito de bikes em Amsterdam é intenso e muito organizado em torno de quem já sabe circular por ele. Para um roteiro como este, cheio de paradas e mudanças de direção, eu ainda prefiro caminhar. Assim dá para olhar ao redor com calma, parar quando quiser e não precisar dividir a atenção entre a paisagem e a ciclovia.
Para distâncias maiores, o transporte público resolve muito bem. Metrô, bondes, ônibus e trens conectam o centro a outras regiões de Amsterdam e aos arredores. Já o carro, para conhecer o centro histórico, é quase sempre mais problema do que solução: as ruas são estreitas, estacionar é caro e limitado e, na prática, você dificilmente vai precisar dele durante este percurso.
Se você estiver hospedado fora do centro, basta usar o transporte público para chegar ao ponto do roteiro mais conveniente para você. E, se ainda estiver escolhendo a região da hospedagem, vale dar uma olhada também no nosso guia de onde ficar em Amsterdam, com as principais áreas da cidade e sugestões de hotéis.
Como funciona este roteiro a pé em Amsterdam
O roteiro que proponho aqui é circular: ele começa e termina na Amsterdam Centraal, a Estação Central da cidade. Isso facilita bastante para quem chega ao centro de transporte público, mas não significa que você precise obrigatoriamente começar por ali. Se estiver hospedado perto de outro ponto do percurso, pode entrar no roteiro onde for mais conveniente e seguir a sequência a partir dali.

A ideia é fazer um panorama do centro histórico, caminhando por alguns dos lugares mais conhecidos de Amsterdam e também por pontos que costumam passar despercebidos. Não programei visitas internas a museus ou monumentos ao longo do percurso, justamente para que ele funcione como um walking tour de verdade: você caminha, observa, conhece a história e decide onde vale a pena voltar com mais tempo.
Por isso, mesmo passando por muitas atrações, este não é um roteiro para “conhecer Amsterdam inteira em um dia”. Quem tiver mais tempo pode, inclusive, dividir a caminhada em dois dias e aproveitar para entrar em alguns dos lugares pelo caminho. Nesse caso, nosso guia de o que fazer em Amsterdam em 3, 5 ou 7 dias pode ajudar a encaixar este percurso em um roteiro maior.
Informações práticas do roteiro
🚶 Distância: 5,7 km
⏱️ Duração: cerca de 2 horas de caminhada sem paradas; com as paradas do roteiro, reserve de meio dia a um dia inteiro, dependendo do seu ritmo.
📍 Início e fim: Amsterdam Centraal (ou qualquer outro ponto mais conveniente para você)
💰 Custo & Ingressos: gratuito; o roteiro foi originalmente planejado sem incluir visitas internas, então os ingressos são opcionais ao longo do percurso.
Antes de começar o walking tour
Antes de sair caminhando, vale acertar alguns detalhes simples que fazem diferença ao longo do dia. O primeiro deles é o mais óbvio: use um calçado confortável. O percurso não é difícil, mas são várias horas andando, com muitas paradas pelo caminho.
Outra atenção importante em Amsterdam são as ciclovias. Elas fazem parte do trânsito da cidade e devem ser tratadas como uma faixa de circulação de verdade, não como extensão da calçada. Antes de atravessar, olhe sempre para os dois lados e evite parar sobre a ciclovia para consultar o mapa ou tirar fotos.
Também vale começar relativamente cedo, especialmente se você quiser fazer o percurso inteiro com calma. Algumas igrejas, pátios, lojas e outros espaços ao longo da rota têm horários próprios, e começar mais cedo dá mais margem para encaixar pequenas paradas sem precisar correr no final.
Por fim, deixe o mapa deste roteiro salvo no celular e dê uma olhada na previsão do tempo antes de sair. Amsterdam é perfeitamente caminhável com frio ou chuva leve, mas um casaco adequado e, dependendo do dia, uma capa de chuva podem tornar a experiência muito mais confortável.
Mapa do roteiro a pé em Amsterdam
O mapa abaixo mostra o percurso completo deste walking tour, seguindo a mesma ordem das paradas que aparecem no post. Assim, você pode usá-lo tanto para visualizar o roteiro antes da viagem quanto para acompanhar a caminhada pelo celular enquanto estiver em Amsterdam.
Este post foi atualizado em agosto de 2026, e o percurso foi revisado para refletir mudanças importantes dos últimos anos, como a nova localização da Van Stapele e o fechamento temporário da sede histórica do Amsterdam Museum.
Roteiro a pé em Amsterdam: passo a passo
Tudo isso acertado, é hora de começarmos a caminhada. Vamos juntos? A partir daqui, seguimos o percurso do mapa na ordem das paradas, saindo da Amsterdam Centraal e avançando pelo centro histórico até completar o circuito de volta à estação. Pelo caminho, vou te mostrando por onde seguir, contando um pouco da história dos lugares que aparecem na rota e chamando atenção para detalhes que vale a pena observar. A ideia é simples: não apenas passar pelos pontos marcados no mapa, mas entender melhor a Amsterdam que vai aparecendo diante da gente enquanto caminhamos.
1. Amsterdam Centraal
Nosso roteiro começa na Amsterdam Centraal, a Estação Central da cidade. Inaugurada em 1889, ela é um dos edifícios mais emblemáticos de Amsterdam e também um dos lugares mais movimentados por aqui: centenas de milhares de pessoas passam pela estação todos os dias.
Antes de sair andando, vale parar um minutinho para olhar a fachada com calma. O prédio foi projetado no final do século XIX e mistura diferentes referências históricas, com torres, ornamentos e muitos detalhes decorativos. Se você já passou pelo Rijksmuseum, talvez perceba certa familiaridade: os projetos dos dois edifícios tiveram participação do arquiteto Pierre Cuypers.

A posição da estação também tem uma história interessante. Quando foi construída, no fim do século XIX, ela mudou bastante a relação da cidade com a água e com o antigo porto. Hoje, funciona quase como uma grande porta de entrada para o centro histórico e, para o nosso roteiro, é um ponto de partida especialmente conveniente. Saindo da estação em direção ao centro, atravesse a região em frente à Centraal e siga para a Nieuwendijk, nossa próxima parada.
2. Nieuwendijk
Saindo da Amsterdam Centraal em direção ao centro, seguimos pela Nieuwendijk, uma das ruas comerciais mais antigas de Amsterdam. Hoje, ela é exclusiva para pedestres e reúne grandes redes, lojas locais, souvenirs e lanchonetes. É um trecho bastante movimentado e já dá uma boa amostra da parte mais turística do centro.
É também um lugar ótimo para fazer algumas paradas bem típicas pelo caminho.

Fica a dica…
Se bater fome, procure uma FEBO. A rede ficou famosa pelas automaten: aquelas paredes cheias de pequenos compartimentos onde você escolhe o lanche, paga e retira direto pela portinha. Os croquetes são um clássico, assim como as bitterballen, bolinhas empanadas e crocantes muito populares nos Países Baixos.
Outra parada gostosa pelo caminho são as lojas de queijo. A Henri Willig, com várias unidades pelo centro de Amsterdam, é uma das minhas preferidas para provar diferentes tipos de queijo gouda. Normalmente dá para experimentar alguns sabores antes de escolher, então a parada acaba virando uma pequena degustação.
A Nieuwendijk é também uma boa introdução ao contraste que vai aparecer várias vezes neste roteiro: você está numa rua comercial bastante movimentada, mas a poucos passos começam a surgir edifícios históricos, canais e pequenas passagens que lembram que o centro de Amsterdam é muito mais antigo do que suas vitrines fazem parecer. Continue seguindo pela Nieuwendijk até chegar à nossa próxima parada.
3. Nieuwe Kerk
No final da Nieuwendijk, você já vai começar a enxergar a Nieuwe Kerk, nossa próxima parada. O nome significa literalmente “Igreja Nova”, mas não se deixe enganar: de nova ela não tem quase nada. Sua construção começou por volta de 1380, e o primeiro serviço religioso aconteceu em 1410.
A igreja surgiu porque a população de Amsterdam crescia e a Oude Kerk, que vamos encontrar mais adiante neste roteiro, já não dava conta de atender toda a cidade. Ao longo dos séculos, a Nieuwe Kerk passou por incêndios, reformas e diferentes transformações, mas continuou ocupando um lugar importante na história de Amsterdam e também da monarquia neerlandesa.
Foi ali, por exemplo, que Willem-Alexander e Máxima (atual rei e rainha dos Países Baixos) se casaram, em 2002. E foi também na Nieuwe Kerk que aconteceu, em 2013, a cerimônia de investidura de Willem-Alexander como rei dos Países Baixos.

Você sabia?
Os reis dos Países Baixos não são coroados. A cerimônia em que um membro da realeza toma posse como rei é chamada investidura. A coroa até aparece como símbolo da monarquia, mas, diferentemente do que acontece em outras monarquias, nos Países Baixos ela não é colocada sobre a cabeça do rei.
Hoje, a Nieuwe Kerk já não funciona como uma igreja de uso religioso regular. O edifício recebe principalmente exposições, eventos e cerimônias oficiais, por isso o que você encontra lá dentro pode mudar bastante de uma viagem para outra. A igreja fica praticamente colada ao próximo ponto do nosso roteiro. Basta seguir alguns passos para chegar ao lugar que há séculos ocupa o coração da cidade: a Praça Dam.

Se quiser conhecer o interior da Nieuwe Kerk, vale conferir o ingresso disponível para a data da sua visita. Ele inclui a entrada na igreja, acesso à exposição em cartaz e audioguia. → Compre aqui o ingresso para a Nieuwe Kerk.
4. Praça Dam
A Praça Dam é um daqueles lugares por onde quase todo mundo passa em algum momento durante uma viagem a Amsterdam. Não é por acaso: além de ocupar uma posição central no mapa, ela reúne alguns dos edifícios mais importantes da cidade e ajuda a contar uma parte enorme da história de Amsterdam.
O próprio nome já entrega um pouco dessa história. A praça surgiu na região onde, ainda na Idade Média, foi construído um dique sobre o rio Amstel. É justamente dessa combinação, Amstel + dam, que veio o nome Amsterdam. A cidade cresceu ao redor desse ponto, que se tornou uma área importante de comércio, circulação e vida pública.




Nieuwendijk, Nieuwe Kerk, Palácio Real e De Bijenkorf no centro de Amsterdam — © Marina Heimer / Imagina na Viagem
Hoje, olhando ao redor da praça, você vai encontrar a Nieuwe Kerk, que acabamos de visitar, o Palácio Real, o Monumento Nacional, a loja de departamentos De Bijenkorf e, um pouco mais adiante, o museu de cera Madame Tussauds. É um daqueles lugares em que vale parar alguns minutos só para observar o movimento e entender como diferentes épocas da cidade acabam se encontrando no mesmo espaço.
No centro da praça está o Monumento Nacional, inaugurado em 1956 em memória das vítimas neerlandesas da Segunda Guerra Mundial e de conflitos posteriores. Todos os anos, em 4 de maio, acontece ali a principal cerimônia do Dia Nacional da Memória, com dois minutos de silêncio e a participação da família real.
A De Bijenkorf, do outro lado da praça, é uma das lojas de departamentos mais conhecidas dos Países Baixos. Mesmo que compras não estejam nos seus planos, vale reparar no edifício: sua fachada imponente faz parte da paisagem da Dam há mais de um século.
Antes de deixarmos a Praça Dam, ainda falta conhecer de perto um dos edifícios mais importantes que a cercam: o Palácio Real de Amsterdam.
5. Palácio Real de Amsterdam
Ao lado da Nieuwe Kerk está o Koninklijk Paleis Amsterdam, o Palácio Real. Apesar do nome, o edifício não nasceu como residência da monarquia. Ele foi construído no século XVII para funcionar como prefeitura de Amsterdam, justamente no período em que a cidade vivia seu auge econômico e comercial.
A grandiosidade do prédio não era por acaso: a ideia era que a nova prefeitura representasse o poder e a importância de Amsterdam naquele momento. Foi apenas no início do século XIX, durante o governo de Louis Bonaparte, irmão de Napoleão, que o edifício passou a ser usado como palácio.
Hoje, o Palácio Real continua pertencendo ao Estado e é utilizado pela família real neerlandesa em visitas de Estado, recepções, premiações e outras cerimônias oficiais. Ao mesmo tempo, permanece aberto à visitação em boa parte do ano. Se você tiver interesse em conhecer o interior, vale conferir o calendário oficial antes da viagem. Como o palácio ainda tem funções institucionais, os compromissos da família real podem alterar os dias e horários de abertura.

Quer conhecer o interior do Palácio Real? O ingresso inclui audioguia e permite visitar os salões históricos quando o edifício está aberto ao público. → Compre aqui o ingresso para o Palácio Real de Amsterdam.
Mesmo que não entre, pare um minutinho para observar a fachada. Vista daqui, no meio do movimento da Praça Dam, ela ajuda a entender bem a dimensão que Amsterdam já tinha alcançado no século XVII. Dali, seguimos para um shopping. Mas já adianto: ele é bem diferente do que você provavelmente está imaginando.
6. Magna Plaza
O Magna Plaza funciona em um edifício do final do século XIX que originalmente abrigava o Correio Central de Amsterdam. Construído entre 1895 e 1899, o prédio chama atenção pela fachada cheia de torres, arcos, detalhes ornamentais e pelo contraste curioso entre a função original e o uso atual.
O interior também merece uma espiada. Mesmo que você não esteja interessado em compras, vale entrar por alguns minutos para observar a arquitetura e perceber como o antigo edifício foi adaptado para receber lojas, cafés e outros espaços comerciais.

A transformação em shopping aconteceu na década de 1990, mas boa parte da aparência histórica do prédio foi preservada. É uma parada rápida, bem no caminho, e uma boa lembrança de como Amsterdam reaproveita edifícios antigos sem apagar completamente a história deles.
Saindo do Magna Plaza, seguimos agora para uma das pontes mais interessantes deste roteiro. Ela cruza o Singel, é surpreendentemente larga e guarda algumas histórias curiosas debaixo dos nossos pés: a Torensluis.
7. Torensluis
Saindo do Magna Plaza, siga em direção ao Singel até chegar à Torensluis, uma das pontes mais antigas e mais curiosas de Amsterdam.
Construída em 1648, ela é considerada a ponte mais antiga da cidade ainda preservada essencialmente em sua forma original. Também chama atenção pela largura: a Torensluis é a ponte mais larga de Amsterdam, tanto que hoje quase parece uma pequena praça sobre o canal.

Você sabia?
Debaixo da Torensluis existem antigos espaços que já foram usados como celas. Eles faziam parte da torre que existia ali antes da ponte atual e ainda hoje podem ser identificados pelas pequenas janelas gradeadas junto ao nível da água.
Além da história, a Torensluis é um ótimo ponto para parar alguns minutos e olhar ao redor. Dali, você tem uma bela vista do Singel, dos barcos passando e das fachadas estreitas e inclinadas tão características de Amsterdam. Depois dessa pequena pausa, voltamos em direção à região da Dam para seguir ao próximo ponto do roteiro: a Van Stapele Koekmakerij.
8. Van Stapele Koekmakerij
Nossa próxima parada é a Van Stapele Koekmakerij, uma pequena loja especializada em um único produto: o cookie mais famoso de Amsterdam. A receita leva massa de chocolate amargo e recheio cremoso de chocolate branco. Simples no papel, perigosamente viciante na prática.
E, sim, a fama é totalmente merecida. Esse é, de longe, o meu cookie preferido no mundo e uma daquelas paradas que eu sempre gosto de encaixar quando passo pelo centro. Como a loja é bastante procurada, é comum encontrar alguma fila, mas normalmente ela anda rápido.

Os cookies são feitos na hora e assados à vista do público, através de grandes janelas de vidro. Tudo artesanal e lindo de ver. A loja funciona diariamente a partir das 10h e garante que ainda haverá cookies disponíveis para quem chegar até as 16h. Depois desse horário, permanece aberta até o último cookie ser vendido, o que geralmente não demora muito. Portanto, programar essa parada para o começo do passeio é estratégico. Deixando para o final do dia, a chance de você ficar chupando dedo é bastante alta.
A Van Stapele funciona hoje no Rokin 17, para onde se mudou em 2024.
9. Kalverstraat
Depois da parada açucarada, seguimos para a Kalverstraat, uma das ruas comerciais mais conhecidas e movimentadas do centro de Amsterdam. Ela é exclusiva para pedestres e concentra lojas de todos os tipos, de grandes redes internacionais a marcas neerlandesas. Mas, para o nosso roteiro, o mais interessante não é fazer uma lista de vitrines. É perceber como essa rua comercial atravessa uma parte muito antiga da cidade e serve de ligação entre alguns dos pontos históricos mais interessantes do centro.
Continue pela Kalverstraat até o número 92, onde você poderá reparar, no meio das vitrines, uma entrada que destoa bastante da arquitetura comercial ao redor. O portal, mais recuado e ornamentado, é uma das entradas da sede histórica do Amsterdam Museum, o museu dedicado à história da cidade. Hoje, porém, esse edifício está fechado para uma grande reforma.

Fica a dica…
A sede histórica do Amsterdam Museum, na Kalverstraat, está fechada para uma grande reforma. Durante esse período, o museu não funciona mais em uma única sede temporária: exposições, projetos e peças da coleção aparecem em diferentes espaços de Amsterdam. Se você quiser conhecer melhor a história da cidade durante a viagem, vale consultar a programação oficial antes de ir para ver o que estará em cartaz e onde.
Dali, seguimos pela Kalverstraat por mais alguns metros até encontrar a entrada de um dos cantinhos mais tranquilos e surpreendentes do centro: o Begijnhof.
10. Begijnhof
Nossa próxima parada é um daqueles lugares que parecem quase escondidos no meio da cidade. Para chegar ao Begijnhof, procure a entrada no número 1 da Gedempte Begijnensloot (o mapa está bem detalhado neste ponto e pode ajudar). O portal é discreto e, se você não souber que ele está ali, é muito fácil passar direto.
Eu mesma só fui descobrir o Begijnhof na minha quinta passagem por Amsterdam. E acho que essa é justamente parte do encanto: num momento você está no meio do movimento do centro e, poucos passos depois de atravessar o portão, entra num pátio silencioso, cercado por casas antigas, onde a cidade parece funcionar em outro ritmo.

O Begijnhof existe desde a Idade Média e foi criado para abrigar as beguinas, mulheres católicas que viviam em comunidade e se dedicavam à religião e à caridade, mas sem fazer votos monásticos formais. As casas que vemos hoje foram sendo reconstruídas e transformadas ao longo dos séculos, mas o conjunto preserva essa organização em torno de um pátio interno. Entre os edifícios, procure a Houten Huis, no número 34. A casa de madeira remonta ao início do século XVI e é uma das mais antigas preservadas em Amsterdam, sobrevivente de uma época em que construções desse tipo eram muito mais comuns na cidade.
Também existem duas igrejas no conjunto: a Engelse Kerk, de origem medieval, e a Begijnhofkapel, uma capela católica escondida atrás das fachadas das casas. Essa última é especialmente interessante porque remete ao período em que o culto católico sofreu fortes restrições nos Países Baixos após a Reforma Protestante.
Hoje, o Begijnhof continua sendo um conjunto residencial privado, embora seja aberto à visitação. A entrada é gratuita e, atualmente, visitantes podem acessar diariamente entre 10h e 18h. Vale manter o tom de voz baixo, evitar bloquear as passagens e lembrar que, apesar da quantidade de turistas, há pessoas morando ali.
Depois de conhecer o pátio, volte pelo mesmo portão por onde entrou. Seguiremos agora em direção ao Singel, com uma parada rápida diante de uma igreja que se destaca facilmente no horizonte: a De Krijtberg.
11. De Krijtberg
Seguindo em direção ao Singel, você logo vai perceber as duas torres altas da De Krijtberg, uma igreja católica dedicada a São Francisco Xavier. Mesmo cercada pelas casas estreitas do centro, ela se destaca bastante na paisagem.
A igreja atual foi construída no fim do século XIX, mas a presença católica nesse endereço é bem mais antiga. Durante o período em que o culto católico sofreu restrições nos Países Baixos, funcionou ali uma igreja clandestina, escondida atrás das fachadas das casas. Mais tarde, com a liberdade religiosa restabelecida, o espaço ganhou a construção neogótica que vemos hoje.
Vale parar alguns minutos para observar a fachada e as torres antes de seguir. Dali, seguimos margeando o Singel até chegar a uma das atrações mais conhecidas deste trecho do centro: o Bloemenmarkt.
12. Bloemenmarkt

Seguindo pelo Singel, chegamos ao Bloemenmarkt, o famoso mercado flutuante de flores de Amsterdam. Fundado em 1862, ele surgiu numa época em que flores e plantas chegavam à cidade pelos canais, transportadas em barcos. As lojas ainda ficam instaladas sobre plataformas junto à água, o que ajuda a manter a fama de mercado “flutuante”. Hoje, é verdade, o Bloemenmarkt está muito mais voltado para os turistas do que para o comércio tradicional de flores. Além de plantas e sementes, você vai encontrar uma quantidade enorme de souvenirs, lembrancinhas e, principalmente, os famosos bulbos de tulipa. Esses pacotinhos fazem sucesso porque parecem uma maneira simples de levar um pedacinho da Holanda para casa. Mas, se a ideia é trazer os bulbos para o Brasil, vale ter um pouco de cautela.

Fica a dica…
Bulbos destinados ao plantio estão sujeitos às regras fitossanitárias brasileiras e podem exigir autorização e documentação específica para entrar no país. Portanto, não conte com a ideia de simplesmente comprar um pacote lacrado no Bloemenmarkt e colocar na mala. Antes de comprar, vale consultar as exigências atuais para esse tipo de produto.
No final do mercado, continue caminhando pelo Singel. Logo adiante, você vai encontrar uma torre que marca uma das esquinas mais movimentadas do centro: a Munttoren.
13. Munttoren
No final do Bloemenmarkt, você vai chegar à Munttoren, uma das torres mais reconhecíveis do centro de Amsterdam.
A construção que vemos hoje tem origem na antiga Regulierspoort, um dos portões da muralha medieval da cidade. Depois de um incêndio no início do século XVII, parte da estrutura foi reconstruída e a torre ganhou a aparência atual. O nome Munttoren, ou “Torre da Moeda”, veio um pouco depois. Durante um curto período no século XVII, moedas foram cunhadas ali, e o apelido acabou ficando.

No alto da torre fica um carillon com 38 sinos, que ainda toca regularmente. Dependendo do horário em que você passar, é bem possível ouvir a música enquanto atravessa essa parte movimentada do centro.
Logo abaixo da torre fica também uma unidade da Heinen Delfts Blauw, marca dedicada à tradicional cerâmica azul e branca de Delft. Se você gosta desse tipo de peça, vale dar uma olhada, nem que seja só pela curiosidade.
Da Munttoren, seguimos pela Reguliersbreestraat até uma das praças mais animadas do centro: a Rembrandtplein.
14. Rembrandtplein
Seguindo pela Reguliersbreestraat, chegamos à Rembrandtplein, uma das praças mais movimentadas e animadas do centro de Amsterdam.
O nome homenageia Rembrandt van Rijn, um dos artistas neerlandeses mais importantes do século XVII. No centro da praça está uma estátua do pintor, instalada ali ainda no século XIX e que acabou dando nome definitivo ao lugar.

Hoje, a Rembrandtplein é cercada por bares, cafés, restaurantes e casas noturnas. É uma área que muda bastante de clima ao longo do dia: mais tranquila durante a manhã e a tarde, e bem mais agitada quando anoitece. Eu gosto muito dessa região porque ela marca uma pequena mudança no roteiro. A partir daqui, deixamos por alguns minutos as ruas mais comerciais e seguimos em direção ao rio Amstel, onde teremos uma das vistas mais bonitas desta caminhada. Saia da praça pela Halvemaansteeg e siga até a Halvemaansbrug, nossa próxima parada.
15. Halvemaansbrug e Dancing Houses
Saindo da Rembrandtplein pela Halvemaansteeg, em poucos minutos você chega à Halvemaansbrug, sobre o rio Amstel. Essa é uma das minhas vistas preferidas deste roteiro. Dali, o cenário se abre: aparecem os barcos passando, a Munttoren ao fundo, o conjunto do Stopera, onde funcionam a prefeitura de Amsterdam e a Dutch National Opera & Ballet, e uma fileira de casas que chama atenção justamente porque parece estar… dançando.


Vista da Halvemaansbrug, com o Stopera e a Munttoren em diferentes direções do rio Amstel — © Marina Heimer / Imagina na Viagem
São as chamadas Dancing Houses, um conjunto de casas estreitas e visivelmente inclinadas à beira do Amstel. As fachadas tortas são resultado de um problema bastante comum na Amsterdam histórica: muitos edifícios foram construídos sobre solo instável, sustentados por estacas de madeira, e acabaram sofrendo diferentes níveis de inclinação ao longo do tempo. O efeito visto da ponte é especialmente curioso porque cada casa parece pender para um lado diferente. O conjunto é tão bonito quanto um pouco assustador, e é quase impossível não se perguntar: é mesmo seguro morar ali? Fato é que esta se tornou uma das cenas mais fotografadas desta parte da cidade.
Vale parar alguns minutos na ponte para observar tudo com calma antes de seguir. Depois, atravesse o Amstel e continue em direção à Aluminiumbrug, nossa próxima parada.
16. Aluminiumbrug

Depois de atravessar o Amstel, seguimos até a Aluminiumbrug, uma pequena ponte levadiça sobre o canal Kloveniersburgwal. Ela não é uma das pontes mais famosas de Amsterdam, mas chama atenção pelo formato e funciona como uma passagem interessante entre duas partes bem diferentes do roteiro. De um lado, deixamos para trás o Amstel mais aberto; do outro, entramos novamente naquele cenário de canais estreitos, fachadas antigas e ruas compactas do centro histórico.
Vale olhar para trás antes de seguir. A perspectiva daqui também é bonita e ajuda a perceber como a paisagem muda rapidamente em poucos metros. Depois de cruzar a Aluminiumbrug, continue margeando o Kloveniersburgwal. Em alguns minutos, chegamos a um edifício que nos leva direto para um dos capítulos mais importantes (e mais complexos) da história de Amsterdam: o Oost-Indisch Huis.
17. Bushuis / Oost-Indisch Huis
Seguindo pelo Kloveniersburgwal, chegamos ao Bushuis / Oost-Indisch Huis, um conjunto de edifícios diretamente ligado à história da Companhia Holandesa das Índias Orientais, a VOC.
No século XVII, o Oost-Indisch Huis funcionou como sede administrativa da companhia em Amsterdam. Era dali que parte das decisões sobre comércio, rotas, administração e negócios ultramarinos era organizada. Hoje, o prédio pertence à Universidade de Amsterdam e é utilizado pela Faculdade de Humanidades.
Esse é um daqueles lugares em que vale olhar — e pensar — além da fachada bonita. A VOC teve um papel enorme no crescimento econômico de Amsterdam e na riqueza acumulada pela cidade durante o século XVII, mas essa prosperidade esteve profundamente ligada à expansão colonial, à exploração de territórios e populações e à violência do sistema comercial da época.
Ou seja, muita da riqueza que ainda hoje aparece nos canais, casarões e edifícios monumentais de Amsterdam está conectada a uma história de comércio global que também teve custos humanos enormes. Isso não torna a cidade menos bonita, nem significa que precisamos caminhar por ela carregando culpa pelo que aconteceu séculos atrás. Mas acho importante saber o que estamos olhando. Para mim, viagem também serve para isso: para nos colocar no mundo com um pouco mais de contexto. O passado não pode ser alterado, mas pode ser conhecido, discutido e usado para pensar no que fazemos no presente e no futuro.

Você sabia?
Nos últimos anos, os Países Baixos passaram a adotar uma política de restituição de objetos retirados de antigos territórios colonizados. Quando pesquisas de procedência mostram que peças foram saqueadas, obtidas sob coerção ou retiradas de forma involuntária, países e comunidades de origem podem solicitar sua devolução.
Esse processo já resultou no retorno de centenas de objetos. Em 2023, por exemplo, 478 peças foram devolvidas à Indonésia e ao Sri Lanka; em 2024, outras 288 retornaram à Indonésia. Em 2025, o governo neerlandês decidiu ainda devolver 113 Bronzes do Benin à Nigéria e mais de 28 mil fósseis da Coleção Dubois à Indonésia. A política continua ativa em 2026, com novas restituições sendo realizadas.
Depois dessa parada um pouco mais reflexiva, seguimos por mais alguns metros até uma curiosidade bem diferente — e bem mais fácil de reconhecer: a chamada menor casa de Amsterdam.
18. A menor casa de Amsterdam
Depois de passar pelo Oost-Indisch Huis, entre na Oude Hoogstraat e procure o número 22. Ali você vai encontrar uma das curiosidades mais fáceis de reconhecer deste roteiro: a chamada menor casa de Amsterdam.
Ela tem pouco mais de 2 metros de largura e cerca de 5 a 6 metros de profundidade, espremida entre os edifícios vizinhos como se alguém tivesse aproveitado o último espacinho disponível da rua. A casa foi construída no século XVIII e é um ótimo exemplo de como o espaço sempre foi precioso no centro histórico de Amsterdam. As fachadas estreitas, aliás, são uma marca registrada da cidade e aparecem o tempo todo ao longo do nosso percurso.

Você sabia?
Por que tantas casas de Amsterdam são tão estreitas? Durante parte da história da cidade, impostos e taxas sobre imóveis consideravam, entre outros fatores, a largura da fachada voltada para a rua ou para o canal. Como terrenos centrais também eram caros e disputados, construir casas estreitas e profundas acabou sendo uma solução bastante comum. É por isso que tantas fachadas parecem quase espremidas umas contra as outras, enquanto os edifícios se estendem bem mais para trás do que a gente imagina olhando da rua.
Hoje, o endereço funciona como um pequeno salão de chá, então vale olhar com atenção para não passar direto. É uma parada rápida, mas divertida e curiosa. Depois, volte para o Kloveniersburgwal e siga em frente até a Nieuwmarkt, nossa próxima parada.
19. Nieuwmarkt
De volta ao Kloveniersburgwal, siga em frente até chegar à Nieuwmarkt, uma praça ampla e bastante movimentada, cercada por cafés, restaurantes e edifícios históricos. A região funciona como ponto de encontro há séculos e ainda hoje recebe mercados em diferentes dias da semana. Aos sábados, costuma haver um mercado de produtores e alimentos orgânicos; durante o verão, alguns domingos recebem também uma espécie de flea market, com antiguidades e objetos variados.
No centro da praça está uma construção que parece um pequeno castelo: a De Waag. Ela é, na verdade, muito mais antiga do que quase tudo ao redor e tem uma história que merece uma parada própria.
Antes de seguir, vale apenas aproveitar alguns minutos para observar o movimento da Nieuwmarkt. É um bom ponto para fazer uma pausa, tomar alguma coisa ou simplesmente sentar e acompanhar a vida acontecendo ao redor.
20. De Waag
A De Waag foi construída no final do século XV como parte das muralhas de Amsterdam e funcionava originalmente como um dos portões de entrada da cidade, então chamada Sint Antoniespoort. Quando Amsterdam cresceu para além dessas fortificações, o antigo portão perdeu sua função defensiva e ganhou novos usos.

No século XVII, a De Waag passou a funcionar como casa de pesagem, onde mercadorias eram pesadas antes de serem comercializadas. É daí que vem o nome Waag, que significa justamente algo como “balança” ou “casa de pesagem”.
Mas a história mais curiosa talvez esteja no andar de cima. Uma das salas foi usada pelo grêmio dos cirurgiões para aulas e demonstrações de anatomia, incluindo dissecações públicas. Foi uma dessas ocasiões que inspirou uma das obras mais famosas de Rembrandt: A Lição de Anatomia do Dr. Nicolaes Tulp, pintada em 1632.
Hoje, a De Waag abriga o Waag Futurelab, uma organização voltada para tecnologia, ciência e sociedade, além de um café-restaurante no térreo. Mesmo que você não entre, vale contornar o edifício e observar de perto as torres, portas e detalhes da fachada.
Depois da De Waag, seguimos para uma região em que a paisagem e até as placas das ruas começam a mudar: o Chinatown de Amsterdam.
21. Chinatown de Amsterdam
A partir da Nieuwmarkt, entramos na região do Chinatown de Amsterdam, considerada a mais antiga da Europa continental. Os primeiros imigrantes chineses começaram a se estabelecer por aqui no início do século XX, muitos deles ligados ao porto e ao trabalho marítimo.
Com o tempo, o bairro ganhou uma identidade asiática mais ampla, reunindo restaurantes, lojas e negócios de diferentes comunidades. A presença chinesa, porém, continua muito visível: em algumas ruas, por exemplo, as placas trazem os nomes em neerlandês acompanhados por caracteres chineses.
A principal rua da região é a Zeedijk, uma das mais antigas de Amsterdam e o caminho que vamos seguir agora. É nela que você encontrará nossa próxima parada, uma construção que dificilmente passa despercebida: o Fo Guang Shan He Hua Temple.
22. Fo Guang Shan He Hua Temple
Seguindo pela Zeedijk, você logo vai encontrar o Fo Guang Shan He Hua Temple, um templo budista que chama atenção imediatamente pela arquitetura tradicional chinesa no meio das fachadas estreitas do centro de Amsterdam.
Inaugurado em 2000, o templo é dedicado à tradição budista Fo Guang Shan e seu nome, He Hua, pode ser traduzido como “Flor de Lótus”. Ele é considerado o maior templo da Europa construído em estilo tradicional de palácio chinês.
Mesmo que você não entre, vale parar alguns minutos para observar os detalhes da fachada, os telhados, as cores e a ornamentação. A presença do templo aqui ajuda a entender como o Chinatown foi ganhando uma identidade própria ao longo do século XX. Depois dessa parada, continuamos seguindo pela Zeedijk e, em poucos minutos, entramos numa das regiões mais conhecidas (e também mais mal compreendidas) de Amsterdam: o Red Light District.
23. Red Light District
Seguindo pela Zeedijk, entramos na região mais conhecida como Red Light District, ou De Wallen. É uma das áreas mais famosas de Amsterdam e também uma das que mais costuma despertar curiosidade, especialmente por causa das vitrines iluminadas em vermelho onde profissionais do sexo trabalham.
Nos Países Baixos, o trabalho sexual é legal e regulamentado, e Amsterdam possui regras municipais próprias para a atividade. Isso ajuda a colocar o bairro num contexto um pouco diferente daquele imaginário mais sensacionalista que muita gente leva para a viagem. E vale lembrar que o Red Light District não se resume às vitrines. A região também reúne bares, restaurantes, coffeeshops, igrejas, canais e algumas das ruas mais antigas da cidade. Durante o dia, inclusive, a atmosfera pode ser bem diferente daquela imagem associada à vida noturna.
Agora seguimos para um contraste daqueles que só Amsterdam consegue oferecer: em pleno Red Light District está o edifício mais antigo preservado da cidade e, pasme, é uma igreja: a Oude Kerk.

Fica a dica…
Visite o Red Light District com respeito. Se passar pelas ruas com vitrines, não fotografe nem filme as profissionais do sexo. Além de ser invasivo, esse é um pedido explícito feito na própria região. Também evite bloquear as passagens ou transformar as vitrines em atração para apontar e comentar. É um local de trabalho e merece ser tratado como tal.
24. Oude Kerk
Em pleno Red Light District está a Oude Kerk, a Igreja Velha, considerada o edifício preservado mais antigo de Amsterdam. A igreja foi consagrada em 1306, embora tenha sido ampliada e transformada diversas vezes ao longo dos séculos.
Por fora, a arquitetura já chama atenção. Mas é no interior que aparece uma das curiosidades mais impressionantes: o piso da igreja é formado por centenas de lápides, e estima-se que milhares de pessoas tenham sido enterradas ali ao longo da história. Caminhar pela Oude Kerk é, literalmente, caminhar sobre séculos de história (e personagens) da cidade.
Hoje, o edifício não funciona apenas como igreja. A Oude Kerk também é um importante espaço de arte contemporânea, recebendo exposições e instalações que criam um contraste interessante com a arquitetura medieval. Esse é, pra mim, o contraste que torna a parada tão marcante: um dos edifícios mais antigos de Amsterdam, originalmente uma igreja, está hoje cercado pelas ruas do Red Light District e usado para arte contemporânea. Incomum, não?

Quer conhecer a Oude Kerk por dentro? Dá para incluir a visita aqui no roteiro e explorar com mais calma o edifício mais antigo de Amsterdam, além das exposições em cartaz. → Compre aqui o ingresso oficial para a Oude Kerk.
25. The Bulldog The First
Bem ao lado da Oude Kerk está o The Bulldog The First, aberto em 1975 e conhecido como o primeiro endereço da rede The Bulldog.
O lugar ficou famoso por ser um dos nomes mais conhecidos entre os coffeeshops de Amsterdam. E aqui vale uma explicação importante: nos Países Baixos, coffeeshop não é simplesmente uma cafeteria. É o nome dado aos estabelecimentos autorizados a vender cannabis dentro das regras específicas adotadas no país.

Você sabia?
Nos Países Baixos, a cannabis não é simplesmente “legalizada”. O que existe é uma política de tolerância: a venda de pequenas quantidades pode acontecer em coffeeshops licenciados, desde que eles cumpram regras específicas. O consumo também é tolerado em determinadas condições, mas isso não significa que seja permitido em qualquer lugar.
Em Amsterdam, inclusive, há áreas onde fumar cannabis em público é proibido, especialmente em partes muito movimentadas do centro. Por isso, se o tema te interessa, vale sempre observar a sinalização e as regras locais antes de consumir.
Hoje, a marca The Bulldog já está espalhada por Amsterdam e reúne coffeeshops, bares e outros negócios, mas foi aqui que tudo começou. O endereço acabou virando uma curiosidade por si só, mesmo para quem não tem interesse em consumir cannabis. A marca também vende merchandising bastante procurado, como moletons, camisetas, canecas e outros souvenirs, e não é raro encontrar gente que entra só para levar alguma lembrança.
Dali, seguimos para a Warmoesstraat, uma das ruas mais antigas do centro.
26. Warmoesstraat e Condomerie
Saindo da região da Oude Kerk, seguimos pela Warmoesstraat, uma das ruas mais antigas de Amsterdam e, hoje, uma mistura bastante curiosa de bares, restaurantes, lojas, coffeeshops, smartshops e comércio voltado aos turistas.
É também aqui que fica uma das lojas mais peculiares do centro: a Condomerie, especializada em… preservativos. A loja existe desde 1987 e ficou conhecida justamente pela enorme variedade de modelos, embalagens e formatos, muitos deles criados quase como objetos de humor e souvenir.
Mesmo que você não pretenda comprar nada (a maioria por ali não pretende mesmo), vale entrar no clima divertido e dar uma olhada na vitrine. A Condomerie acabou virando um daqueles pontos peculiares do centro e combina perfeitamente com o espírito mais irreverente dessa parte da cidade. Continue pela rua até a região da Beursplein, nossa próxima parada.
27. Beursplein
Seguindo pela Warmoesstraat, chegamos à Beursplein, uma praça diretamente ligada à longa história comercial e financeira de Amsterdam. Foi nessa região que a cidade consolidou, ainda no início do século XVII, um dos primeiros mercados organizados de ações do mundo, muito ligado à VOC, a Companhia Holandesa das Índias Orientais. As ações da companhia eram negociadas por investidores, ajudando a transformar Amsterdam num dos grandes centros financeiros da Europa naquele período.
Hoje, a praça continua associada a esse universo. É aqui que fica a Euronext Amsterdam, a bolsa de valores da cidade, e também uma escultura que costuma chamar bastante atenção: o Charging Bull. E não é apenas uma imitação do famoso touro de Wall Street. A versão de Amsterdam foi criada pelo mesmo artista, Arturo Di Modica, e instalada na Beursplein em 2012. Virou rapidamente um dos pontos mais fotografados da praça. A diferença é que, por aqui, ninguém parece ter desenvolvido aquele curioso hábito nova-iorquino de bolinar o touro em busca de sorte financeira. 😅
Daqui, e já chegando ao final do nosso passeio, seguimos para uma parada bem mais doce, e bem mais recente na história da cidade: a Tony’s Chocolonely Super Store.
28. Tony’s Chocolonely Super Store
Nossa próxima parada é a Tony’s Chocolonely Super Store, a loja da famosa marca neerlandesa de chocolates.
O espaço é colorido, divertido e cheio das barras de sabores e combinações diferentes que ajudaram a tornar a Tony’s conhecida. É uma boa parada para experimentar chocolates, comprar alguma lembrancinha e conhecer de perto uma marca que nasceu em Amsterdam.
Mas a Tony’s também ficou conhecida por outro motivo: desde a criação, a empresa tenta chamar atenção para os problemas da cadeia do cacau, especialmente o trabalho infantil, a exploração de produtores e a falta de rastreabilidade. A marca trabalha com cacau rastreável e defende relações comerciais mais justas com as cooperativas produtoras.
Ou seja, por trás das embalagens coloridas existe também uma proposta de consumo mais consciente, o que torna a visita um pouco mais interessante do que simplesmente entrar em mais uma loja de chocolates. Se bater vontade, aproveite para escolher uma barra antes de seguir para o trecho final do nosso walking tour.
29. Damrak
Saindo da região da Beursplein, seguimos pelo Damrak, a avenida que conecta a Praça Dam à Amsterdam Centraal e marca o trecho final da nossa caminhada.
Hoje, o Damrak é uma das vias mais movimentadas do centro, cheio de hotéis, restaurantes, lojas e pontos de embarque para passeios de barco. Mas vale olhar um pouco além do movimento: esse trecho já foi um braço de água ligado ao antigo porto da cidade, e parte dele acabou sendo aterrada ao longo do tempo.
Um dos cenários mais conhecidos daqui fica justamente junto à água, onde aparecem aquelas casas estreitas e inclinadas refletidas no canal, com a torre da Beurs van Berlage surgindo ao fundo. É uma imagem bastante clássica de Amsterdam e um ótimo ponto para uma última pausa antes de voltar à estação. A essa altura, a Amsterdam Centraal já está novamente à nossa frente. E isso significa que completamos o circuito.
Depois de quase 6 quilômetros caminhando pelo centro histórico, talvez seus pés estejam pedindo descanso. A boa notícia é que existe uma maneira bastante agradável de continuar conhecendo Amsterdam sem precisar dar mais nenhum passo: seguir pelos canais.
Para terminar o dia: veja Amsterdam pelos canais
Depois de conhecer o centro histórico a pé, uma ótima forma de terminar o dia é mudar completamente de perspectiva e ver Amsterdam a partir da água.

Os canais mostram a cidade de outro jeito: você passa por fachadas que acabou de ver da rua, percebe melhor a relação entre as casas e a água e consegue observar detalhes que, caminhando, podem acabar ficando escondidos. E, depois de quase 6 quilômetros de percurso, sentar por um tempo (enquanto continua curtindo a cidade) também não parece uma má ideia, né?
Há vários passeios de barco saindo da região entre o Damrak e a Amsterdam Centraal, justamente onde nosso roteiro a pé por Amsterdam termina. As opções variam bastante, desde cruzeiros mais simples, com audioguia, até barcos menores ou experiências com bebidas e outros extras.

Planeje sua visita
Se quiser encerrar o passeio navegando pelos canais, vale comparar as opções disponíveis para o dia e horário da sua visita e escolher o tipo de cruzeiro que mais combina com você. Eu gosto bastante dos que incluem audioguia – um jeito divertido de continuar aprendendo sobre a cidade.
→ Veja opções e reserve seu passeio de barco pelos canais de Amsterdam.
Vale a pena conhecer Amsterdam a pé?
Amsterdam obviamente não cabe inteira em uma caminhada. Há museus, bairros, parques e tantas outras partes da cidade que merecem tempo próprio. Mas, para um primeiro contato com o centro histórico, este roteiro entrega bastante coisa.
Ao longo do caminho, você passa por algumas das praças e ruas mais conhecidas, cruza canais, entra em cantinhos mais escondidos, encontra marcas importantes da história medieval, da expansão comercial, da imigração e da vida contemporânea da cidade. E tudo isso sem depender de transporte entre uma parada e outra. Por isso, eu gosto especialmente desse walking tour como uma forma de entender Amsterdam enquanto caminho por ela. Não é só uma sequência de pontos turísticos. É um percurso que ajuda a ligar os lugares entre si e a perceber como diferentes momentos da história continuam aparecendo na paisagem.
Se você tiver mais dias na cidade, melhor ainda: use este roteiro como uma primeira exploração do centro e depois volte com calma aos lugares que mais chamaram sua atenção. E, se estiver montando uma viagem mais completa, nosso guia de o que fazer em Amsterdam em 3, 5 ou 7 dias pode ajudar a encaixar este passeio dentro de um roteiro maior.
Outros roteiros a pé pelo mundo
Este post foi originalmente produzido como parte de uma blogagem coletiva sobre roteiros a pé, em que diferentes blogueiras reuniram sugestões de caminhadas por destinos ao redor do mundo. Se você gosta desse tipo de passeio, vale conhecer também os outros conteúdos que participaram da iniciativa:
- Lisboa — roteiro a pé com dicas de passeios e comidinhas, no blog Uma Senhora Viagem;
- Recife — Circuito da Poesia, no blog Turista Imperfeito;
- Toledo — roteiro de 1 dia pela cidade, no blog Turista FullTime;
- e um conteúdo especial sobre as vantagens de explorar destinos a pé, no blog Olívia Garimpando Por Aí.
Perguntas frequentes sobre este roteiro a pé em Amsterdam
Dá para conhecer Amsterdam a pé?
Dá para conhecer muita coisa a pé, especialmente no centro histórico. Amsterdam tem uma área central relativamente compacta, e várias atrações ficam próximas umas das outras. Isso não significa que a cidade inteira possa ser explorada sem transporte, mas, para este roteiro, caminhar funciona muito bem.
Quantos quilômetros tem este roteiro?
O percurso completo tem aproximadamente 5,7 km, considerando a rota atualizada mostrada no mapa. Não há subidas ou descidas relevantes no percurso proposto.
Quanto tempo leva este walking tour em Amsterdam?
Sem paradas, são cerca de 2 horas de caminhada. Mas a ideia deste roteiro é justamente parar, observar, tirar fotos, entrar em algumas lojas e conhecer os lugares pelo caminho. Por isso, reserve de meio dia a um dia inteiro, dependendo do seu ritmo.
Dá para fazer este roteiro em meio dia?
Sim. Se você caminhar num ritmo mais constante e fizer poucas paradas, dá para percorrer o trajeto em meio dia. Já quem quiser explorar os pontos com mais calma, fazer pausas para comer ou entrar em alguma atração deve reservar mais tempo.
É melhor conhecer Amsterdam a pé ou de bicicleta?
Depende do objetivo. Para se deslocar pela cidade, a bicicleta é excelente. Mas, para um roteiro como este, cheio de pequenas paradas, mudanças de direção e detalhes para observar, eu prefiro caminhar. Assim, você consegue prestar mais atenção à cidade e não precisa dividir o foco com o trânsito das ciclovias.
Preciso comprar ingressos para fazer este roteiro?
Não. O roteiro foi pensado originalmente sem incluir visitas internas, então você pode fazer todo o percurso gratuitamente. Os ingressos são opcionais para quem quiser entrar em lugares como a Nieuwe Kerk, o Palácio Real ou a Oude Kerk ao longo do caminho.














Respostas de 15
Como é bom ler um post tão bem escrito. Ameiiiiii e quero voltar pois estive recentemente em Amsterdam e, apesar de ter visitado muitas de suas dicas, várias ficaram de fora. Esse manual que vc escreveu de um walking tour pelo centro histórico de Amsterdam tenho que levar e repetir o seu trajeto. Excelente!
Oi, Lilian! Obrigada!! Sobre ter deixado algumas coisas de fora em seu último roteiro, acho que é assim com todo mundo… apesar de pequenina, Amsterdam é uma daquelas cidades que nunca se vê por completo. O que é ótimo, porque sempre há um motivo pra voltar! Heheh…
Roteiro maravilhoso, praticamente tem tudo para conhecer o centro de Amsterdã a pé.
Eu arriscaria uma pedalada também, talvez em uma zona mais tranquila.
Obrigada por compartilhar!
Abs
Eu que agradeço pela visita, Adelaide! =)
E aproveito pra dar um pitaco e recomendar o Vondelpark como essa “zona mais tranquila” pra sua pedalada. É lindo e super gostoso!
Esse seu roteiro a pé pelo centro histórico de Amsterdam está muito completo e dá até vontade de andar por lá. Eu já fiz uma vez um free walking tour em Amsterdam, mas cada um tem uma maneira de guiar e mostrar a cidade. Com certeza farei novamente esse roteiro quando for novamente a Amsterdam.
Oba! A ideia era mesmo essa: um roteiro bem completo. Que bom que gostou, Olivia!
Ops… caiu um cisco aqui no meu olho! Que delícia de post… que nostalgia percorrer através do seu roteiro (super completo) as ruas por onde perambulei. Eu sou apaixonada pela Holanda e tenho um carinho especial por Amsterdam, que sabe ser frenética sem perder sua majestade! Da próxima vez que tiver a oportunidade de ir até lá, levarei seu roteiro comigo! 😉😍😊
Ahh, esse elogio vindo de você, que já viveu por lá, me deixa super lisonjeada, Regina! Compartilhamos a mesma paixão pelo país e o mesmo carinho pela cidade – uma das minhas preferidas no mundo!
Realmente, muito completo o seu post. Parabéns!
Obrigada, Rosana. Fico feliz que tenha gostado. =)
Post maravilhoso Marina! Parabéns! Muito bem escrito e detalhado. Irei com minha Esposa, em setembro, conhecer a tão sonhada Amsterdã. Pretendo usar o seu roteiro. Aproveitando a oportunidade, queria saber quais cidades próximas recomendarias para conhecermos, considerando que iremos ficar 7 dias na cidade?
Oi, Thiago! Muito obrigada! Lá no canal do Youtube eu tenho uma série de vídeos só com recomendações de cidades próximas a Amsterdam que você pode conhecer fazendo bate-volta. Dá uma olhada em: =)
Olá Marina! Estou organizando o roteiro da minha viagem e tudo que eu tenho a dizer é: Obrigada por me salvar! Sinceramente, estava procurando um roteiro como este, mas o seu surpreendeu! Obrigada pela riqueza de detalhes e pelo mapa, está muito didático.
Adorei o seu roteiro. Farei em julho, durante uma conexão longa em Amsterdam.
Você poderia me dar uma ideia de quantas hora são necessárias, por favor?
Um dos melhores roteiros q eu li.
Muito obg por ter escrito tão detalhadamente